Vida em Alto Mar – Canal do Panamá, Parte I

Hoje vou falar não exatamente sobre um destino, acho que isso é mais uma experiência do que qualquer outra coisa: o Canal do Panamá!

Eu escolhi fazer um cruzeiro pelo Canal do Panamá pois não iria mais no cruzeiro que tinha programado para o Alasca, e estava atrás de um roteiro longo na época que pretendia viajar. A rota desse cruzeiro me chamou a atenção pelos portos (principalmente Key West e Cartagena), pela quantidade de dias no mar (adoooooro), e pelo dia de trânsito pelo canal.

Lembro de ouvir falar um pouco da história do Canal do Panamá no colégio, e nunca consegui entender direito como funcionava. Quero tentar explicar aqui, tendo visto com meus olhinhos, como veio a ser, como funciona, e como é a preparação para levar uma embarcação pelo canal.

Um pouco de história

Vamos observar a América:

Oi, sou a América! Vem sempre aqui?

Agora imagine um mundo sem viagens aéreas e sem internet, e que o transporte básico entre continentes (senão o único) se dá por navios. Lembre também que dentro da própria America, muitas áreas mais centrais eram ainda pouco exploradas, e muitas vezes de terrenos difíceis para uso de transportes terrestres. Então imagine que estamos na Europa, e queremos chegar até a Califórnia, como fazer isso? Fácil, dando toooooooooda a volta no continente. Simples, não? Pois é…

Como seria mais fácil se fosse possível cortar essa distância quase pela metade… Foi isso que passava na cabecinha dos navegadores!

Em 1878 alguém resolveu se mexer pra resolver esse problema. O francês Ferdinand de Lesseps (mesmo carinha que fez o Canal de Suez) convenceu o governo da Colômbia (nessa época, a área do Canal do Panamá era colombiana) a deixar ele brincar de cavar terrinha por ali. Mas ninguém tinha percebido ainda que não estavam brincando mais no deserto africano! Não seria a mesma coisa que construir um canal ao nível do mar como o Canal de Suez. O terreno aqui tinha relevo completamente diferente, clima tropical, chuvas, enchentes, e mosquitinhos passando por aí com malária e febre amarela.

Olhando mais de perto…

Obras começaram em 1880, mas com tantas dificuldades, pouco tempo depois a empresa faliu e foi-se o Canal…

Quando o navio se aproxima do atual canal, no sentido Atlântico-Pacífico, é possível ver essa tentativa francesa à direita

Tentativa francesa, para apreciação ainda hoje

Pouco tempo depois, os EUA se prontificaram a levar adiante a execução do canal, inclusive pela vantagem econômica e estratégica. As tratativas com o governo colombiano para a construção culminou no movimento de independência do Panamá, com apoio do governo americano. Independentes, o Panamá retribuiu o favor permitindo aos Estados Unidos a construção do canal e controle dessa Zona.

A construção do Canal levou 10 anos, apesar de todos os percalços, conflitos, mortes por doenças, dificuldades climáticas e topográficas, e o resultado podemos ver hoje, no sistema de eclusas e com um lago artificial que fornece água e energia elétrica para a operação do Canal, além de ser via de trânsito entre as eclusas do lado Atlântico e do lado Pacífico.

Após a inauguração do Canal, em 1914, seguiram-se divergências quanto à administração do Canal, pois apesar da construção e administração pelos EUA, Muitos sentiam que a Zona era deveria ser do Panamá por direito.

Somente em 1974 iniciaram-se negociações que resultaram na assinatura do Tratado Torrijos-Carter, em 1977. O tratado passava a administração do Canal para o Panamá, desde que o governo panamenho garantisse a neutralidade do Canal.

Hoje, a Zona do Canal é administrada pela Panama Canal Autorithy (ACP), e o Canal ainda é a principal fonte de renda do país.

Canal do Panamá, vista de satélite atual

No próximo post, vamos ver como funciona a estrutura do canal, e daremos um passeio atravessando do Atlântico para o Pacífico!

 

(Fontes: Google e Wikipedia)

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3 comentários sobre “Vida em Alto Mar – Canal do Panamá, Parte I

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